Home Data de criação : 07/08/04 Última atualização : 11/12/25 09:14 / 68 Artigos publicados

ENCANTAMENTO - de Paulo Gonçalves -  escrito em domingo 25 dezembro 2011 09:12

Blog de poesiasselecionadas :POESIAS SELECIONADAS, ENCANTAMENTO  -  de Paulo Gonçalves -

                                                    ENCANTAMENTO

Mal a aurora tingiu de púrpura o levante,

e afogou em orvalho as flores nos canteiros,

a princesa saiu do seu castelo, 

diante da guarda fiel dos seus lanceiros.

.

Eis que suregem, porém, numa curva de estrada,

as bruxas! Infernais, diabólicas, ferozes,

elas, saltarelhando, armavam na cilada

originais metamorfoses.

.

Mas, ao poder do amor se realiza um milagre!

Por uma fada sempre há de ser protegida

a vida que, na terra, em voto, se consagre

inteiramente a uma outra vida.

.

E antes que a exaltação da essência venenosa

a fizesse tombar, inanimada, e fria,

a princesa tomou a forma de uma rosa,

a única flor que não havia.

.

E evitando que as feiticeiras, de surpresa,

a pudessem poluir com hálitos daninhos,

os lanceiros então cercaram-na em defesa

e transformaram-se em espinhos.

.

Autor: Paulo Gonçalves - do Livro Iara, pags. 77-79.

Pesquisa e postagem Nicéas Romeo Zanchett

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O NATAL DO MENINO POBRE - de Cleómenes Campos.  escrito em domingo 25 dezembro 2011 05:52

Blog de poesiasselecionadas :POESIAS SELECIONADAS, O NATAL DO MENINO POBRE   -  de Cleómenes Campos.

                                                       O NATAL DO MENINO POBRE

A mãe, sentada num caixão de pinho, 

canta, embalando a rede devagar:

- "Dorme, meu anjo, meu anjinho;

São Nicolau não deve demorar".

.

O menino adormece de mansinho,

e um velho bom, de barbas côr de luar,

surge-lhe, em sonho, no quintal vizinho,

com carros de ouro para lhe ofertar...

.

Mas de manhã, quando se vê sozinho,

sem seus brinquedos, põe-se a soluçar.

E, a mãe, em vez de chôro, com carinho:

.

"A água, meu filho, corre para o mar;

se tu nem tens sapatos, meu filhinho,

como o santo de ti se vai lembrar?"

 Autor: Cleómenes Campos.

.

Do livro Coração Encantado - pags. 67/68.

Postado por Nicéas Romeo Zanchett

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AO CORAÇÃO QUE SOFRE - Olavo Bilac  escrito em domingo 10 abril 2011 03:51

Blog de poesiasselecionadas :POESIAS SELECIONADAS, AO CORAÇÃO QUE SOFRE -  Olavo Bilac

                                              AO CORAÇÃO QUE SOFRE

Ao coração que sofre, separado

Do teu, no exílio em que a chorar me vejo,

Não basta o afeto simples e sagrado

Com que das desventuras me protejo.

.

Não me basta saber que sou amado,

Nem só desejo o teu amor: desejo

Ter nos braços teu corpo delicado,

Ter na boca a doçura de teu beijo.

.

E as justas ambições que me consomem

Não me envergonham: pois maior baixeza

 Não há que a terra pelo céu trocar;

.

E mais eleva o coração de um homem

Ser de homem sempre e, na maior pureza,

Ficar na terra e humanamente amar.

.

De Olavo Bilac -  Em Via láctea.

Postado por Nicéas Romeo zanchett

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AMAR - Carlos Drumond de Andrade.  escrito em sábado 09 abril 2011 04:04

Blog de poesiasselecionadas :POESIAS SELECIONADAS, AMAR -  Carlos Drumond de Andrade.

                                                             A M A R

Que pode uma criança senão,

entre criaturas, amar?

Amar e esquecer,

amar e malamar,

amar, desamar, amar?

sempre, e até de olhos vidrados, amar?

.

Que pode, pergunto, o ser amoroso,

sozinho, em rotação universal, senão

rodar, também, e amar?

amar o que o mar traz à praia,

o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,

é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

.

Amar solenemente as palmas do deserto,

o que é entrega ou adoração expectante,

e amar o inóspito, o áspero,

um vaso sem flor, um chão vazio,

e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave  de rapina.

.

Este o nosso destino: amor sem conta,

distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,

doação ilimitada a uma completa ingratidão,

e na concha vazia do amor a procura medrosa,

paciente, de mais e mais amor.

.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa

amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede 'infinita.

. Carlos Drumond de Andrade.  Claro Enígma.

.

Postado por > Nicéas Romeo Zanchett

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SONETO DO AMOR MAIOR - Vinícus de Moraes  escrito em sexta 08 abril 2011 11:35

Blog de poesiasselecionadas :POESIAS SELECIONADAS, SONETO DO AMOR MAIOR - Vinícus de Moraes

                                                        SONETO DO AMOR MAIOR

Maior amor nem mais estranho existe

Que o meu, que não sossega a coisa amada

E quando a sente alegre, fica triste

E se a vê descotente, dá risada.

.

E que só fica em paz se lhe resiste

O amado coração, e que se agrada

Mais da eterna eventura em que persiste

Que de uma vida mal-aventurada.

.

Louco amor meu, que quando toca, fere

E quando fere vibra, mas prefere

Ferir a fenecer - e vive a esmo

.

Fiel é sua lei de cada instante

Desassombrado, doido e delirante

Numa paixão de tudo e de si mesmo.

.

Viniciu de Moraes - Poemas, Sonetos e Baladas.

Postado por   Nicéas Romeo Zanchett

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